A intuição é algo que se faz presente na vida de todos nós, estejamos trilhando o caminho espiritual ou não.
- Uma mãe que acorda no meio da noite porque sabe que o filho não está bem mesmo sem nenhum indício disso.
- Alguém que nos vem à mente do nada e quando mandamos mensagem esse alguém não está bem.
- A sensação de que devemos sair de um lugar ou de não ir a algum lugar.
- Aquela voz interna que nos avisa que alguém não gosta de nós, mesmo que a pessoa nunca tenha feito nada para confirmar isso
Porém, como ter certeza de que é a intuição falando ou se são nossos medos?
Como diferenciar a cacofonia interna de um aviso?
Acreditar que tudo é intuição é tão perigoso quanto ignorar quando realmente é ela falando e por causa disso ficamos perdidos, com receio, confusos e às vezes até com medo e tentamos ignorar ou lidamos como se tudo fosse intuição.
Primeiro precisamos entender o que é a tal intuição, e embora muitos se refiram a isso apenas como um tipo de mediunidade e contato espiritual, nem toda intuição vem desse local, há uma explicação racional para ela.
Nosso cérebro capta muito mais informação do que nossa mente consciente consegue perceber: cheiros, gestos, entonação de voz, expressões e micro expressões, palavras, atitudes, vibrações. Tudo isso fica armazenado no subconsciente e ele vai criando correlações que nem sempre são claras.
Situação hipotética: Quando você era criança sua mãe tinha uma amiga, você teve contato com ela e seu subconsciente foi armazenando uma série de detalhes que captava mas que não tinha motivos para que seu consciente se atentasse a isso. Em algum momento essa amiga fez algo de ruim para sua mãe, pode ter falado mal dela, dado em cima do seu pai, tinha inveja, enfim, algo de ruim que você ficou sabendo, mesmo que não tenha sido dito a você diretamente.
Agora você é uma pessoa adulta, está na casa de uma amiga e ela te apresentou outra Ana, uma outra amiga dela. Ana é simpática, cordial, te trata bem, mas algo te diz que Ana não gosta de você. Você não sabe explicar o porquê sente isso, você apenas sente.
Outra situação: Você está no ônibus que costuma pegar todos os dias, de repente vem a vontade de descer, mas ainda não é o seu ponto. Você não desce e o ônibus é assaltado. Seu cérebro pode ter captado os sinais do assaltante (movimentação, olhares, respiração, etc) e correlacionou com uma situação igual, tenha você vivido realmente isso ou assistido em algum filme.
Nesses exemplos eu tratei com seu próprio cérebro trazendo o recado, mas quando a intuição vem do plano espiritual também funciona da mesma forma e em ambas a gente deve escutar: A intuição não conta história, ela apenas dá a informação de forma precisa.
- Não confie em Ana.
- Desça do ônibus
Acontece que seu subconsciente ao captar os gestos, as expressões, palavras, atitudes e entonações de voz de Ana ele foi fazendo um pequeno check list de correlação, buscando um padrão similar e se deparou com aquela amiga da sua mãe. Ana e ela agem, falam, se expressam da mesma forma e ele logo conclui: Ana não é confiável, ela está dissimulando, fingindo e em algum momento pode aprontar algo.
Mas seu cérebro, não consegue trazer com clareza as lembranças, ou te mostrar um slide fazendo a correlação, então ele apenas manda para a parte consciente o sinal de alerta a respeito de Ana. Talvez você sonhe com ela fazendo ou falando algo desagradavél pois quando dormimos a ponte entre consciente e subconsciente fica mais fluida. Não é espiritualidade, é seu cérebro te protegendo e cuidando de você.
Em ambos os casos o pensamento não se desenvolve em catástrofe, gatilho, não traz uma narrativa explicando nada e nem desestabilizando ou levando a devaneios. Não há história após o pensamento, você pode até buscar justificativas, ficar se perguntando porque descer e com isso surgirem hipóteses, mas é algo que você buscou, não algo que veio.
O autoconhecimento também auxilia bastante no processo, entender como funcionam as nossas vozes internas facilita saber quando são elas que estão trazendo problema (mesmo que estejam tentando ajudar).
A meditação ajuda bastante nessa conexão interna e a aprendermos a diferenciar intuição de paranoia e medos.
Outra coisa que ajuda bastante nesse processo é o acompanhamento psicológico, pois através dele vamos entendendo nossos padrões, nossos medos e traumas e com isso fica mais fácil (ou menos difícil) de reconhecer quando são eles interferindo.